segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

NISA: Alerta para a situação de prédios urbanos degradados e devolutos


RECOMENDAÇÃO À ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE NISA
"A implantação e crescimento de novas áreas urbanas, principalmente na vila de Nisa, a par do crescente despovoamento dos centros históricos e das aldeias do concelho, gerou uma situação que pode considerar-se alarmante, criada pelos factores referidos e também pela falta de manutenção dos imóveis por parte dos proprietários.
Refiro-me ao problema que está bem patente em todos os núcleos urbanos do município, onde existe hoje um número crescente de imóveis degradados e devolutos.
Trata-se de uma situação que, além de degradar o ambiente urbano, cria situações de profunda e permanente insegurança, revelada a dois níveis: a segurança dos edifícios em risco de desmoronamento, com as suas implicações nos edifícios e áreas adjacentes e na própria protecção civil; a insegurança gerada por “usos” menos próprios de tais edifícios onde, muitas vezes, prolifera o consumo e tráfico de estupefacientes, não contando com as questões de insalubridade que tais usos provocam.
A situação contribui também para distorcer profundamente o mercado de habitação, penalizando as condições de habitação de muitas famílias.
Em Nisa, sobretudo no Centro Histórico, há edifícios em situação tal de degradação que não pode manter-se por mais tempo.
É urgente uma intervenção da Câmara Municipal, já que como é do conhecimento, o Código do Imposto Municipal sobre Imóveis (CIMI) faculta aos municípios um conjunto de instrumentos que permitem desincentivar estas situações, penalizando-as fiscalmente. A sua utilização carece, porém, de um processo prévio de identificação dos prédios degradados e devolutos há mais de um ano, existentes na área do município.
Pelo exposto, sugiro/ recomendo à Assembleia Municipal de Nisa, reunida em sessão ordinária em 28/06/2010, que alerte a Câmara para a gravidade da situação e que a mesma:
1 – Promova uma campanha de sensibilização para que os proprietários procedam às reparações indispensáveis;
2 – Intervenha, nos casos de maior gravidade e se após as diligências com os proprietários, estas se tenham revelado infrutíferas;
3. Proceda, com urgência, à identificação dos prédios urbanos degradados e devolutos há mais de um ano, existentes na área do município;
4. Disponibilize essa listagem à Assembleia Municipal.
Nisa, 28 de Junho de 2010
Mário Mendes

domingo, 19 de janeiro de 2014

OPINIÃO - Cá na terra... havia um queijo.

Chegava-me a Moçambique, terra das minhas primeiras memórias, enviado por meus avós maternos, conservado em azeite.
Regressado a Portugal, fui andando de terra em terra, primeiro ao sabor das transferências de serviço de meu pai, depois vogando para onde as marés da minha própria vida me levavam. Mas ficou-me esse gosto de queijo na boca.
Recordo perfeitamente a minha primeira visita a Nisa, lá pelos finais dos anos 80, vindo de Lisboa, a caminho da Serra da Estrela. E a segunda também, já em finais dos anos 90, pela mão de amigos cá da terra para quem trabalhei nos arrabaldes da capital. E também me lembro que em ambas as vezes comprei Queijo de Nisa.
As tais marés da vida acabariam por me trazer até esta terra, onde me radiquei, constitui família e tenho como minha.
O Queijo de Nisa passou a ser, agora próximo dos seus produtores, oferta habitual a amigos e familiares, prenda entregue com orgulho e a certeza de que a mesma será apreciada.
E a que propósito vem tudo isto?
Acabo de ver mais um programa da série "A alma e a gente" de José Hermano Saraiva, difundido na RTP2, dedicado a Portalegre. Lá para o fim do programa, depois das loas do costume à localidade em foco, e para minha surpresa, depois de uma referência aos vinhos de Portalegre, ouço também uma referência ao queijo, e cito, "(...) o queijo de Portalegre, que ainda recentemente foi considerado por uma revista americana um dos melhores do mundo."
Alto e pára o baile! Queijo de Portalegre?
Já não me chegava o dito queijo premiado ser feito em Monforte, a 65 quilómetros de Nisa, que por razões que, pelo menos a minha, razão desconhece, tem a Denominação de Origem Protegida (DOP) "Queijo de Nisa", ainda tenho agora que ouvir que o queijo é de Portalegre? Haja vergonha, já que não há rigor!
Ainda durante a última "Volta a Portugal em Bicicleta" ouvi desconsideração de igual quilate, quando a um Prémio da Montanha implantado em plena Serra de S. Miguel, ali por alturas do cruzamento do Arneiro, foi dado o nome de Alto de Ródão, repetido em todos os órgãos de comunicação social que cobriam o evento.
Desconheço se a nossa Câmara apresentou algum protesto por este erro, mas se não o fez então deveria fazê-lo agora. Pela parte que me toca, vou de seguida enviar um mail para a produtora do programa, dando-lhe conta do seu erro e do meu desagrado. Quem não se sente, não é filho de boa gente.
in http://maladeporao.blogspot.com
NOTA DE RODAPÉ
Cá na terra havia muitas coisas boas, não só o queijo, os enchidos, o artesanato, o azeite, mas também a lã, o engordar do bacorinho, os rebanhos, o matadouro, os quintais de festa, as tradições, os maranhos, a cozinha regional, os trajes, a música, as festas, o sotaque, único e inconfundível, a história e o património.
Com o tempo, a insensatez de uns e o “deixa andar” de outros, tudo se foi perdendo.
Esta terra já teve (quase) tudo e tudo vai deixando fugir em favor de outros interesses.
Mas, não perderá - enquanto houver força e lucidez - uma última trincheira de revolta, indignação e de denúncia daqueles que fazem "ouvidos de mercador" e, perante os esbulhos patrimoniais de que somos alvo, assobiam para o lado.
Mário Mendes - 23/11/2008

OPINIÃO: Geminação com França não funciona

No passado dia 29 de Abril de 2009, a Associação de Veteranos do Sport Nisa e Benfica deslocou-se a França, após solicitação do autocarro da Câmara Municipal para tal efeito. Devido a essa cedência, efectuou alguns convites a entidades do concelho, e deu assim resposta à visita que a U. S. Portugais de Joué efectuou no ano transacto. De salientar o excelente trabalho desenvolvido pelos responsáveis máximos de ambas as colectividades.
No dia da chegada a França, 30 de Abril, e após o primeiro contacto com as nossas gentes e alguns jogadores dos Veteranos do Nisa que já se encontravam em França por antecipação, a comitiva foi recebida por várias entidades locais, como o Cônsul Português em Tours, o Maire de Joué-les-Tours, o Maire de Azay-le-Rideau, a Presidente do Comité de Geminação e o Presidente da U. S. Portugais de Joué.
Mais uma vez a Geminação entre o Município de Nisa e várias localidades francesas não funcionou, não só pela não deslocação de qualquer representante da Câmara nessa viagem, mas também dando seguimento ao que se passou no ano transacto, em que a comitiva da U. S. Portugais de Joué não mereceu honras de recepção nos Paços do Concelho, nem foi brindada com qualquer presença da Câmara Municipal de Nisa no principal jantar de confraternização e troca de lembranças.
Lamentável.
in http://psnisa.blogspot.com/
NOTA: O destaque da edição nº 40 do Jornal de Nisa (1 de Novenbro de 1999) eram precisamente as relações entre Nisa e Azay-le-Rideau e em título de entrevista, perguntávamos: Para que serve o Comité de Geminação?
Esmeralda Almeida, responsável na altura pelo referido Comité (Nisa) respondeu como pode às questões apresentadas.
Certo é que, dez anos passados, nem o Comité de Geminação foi reactivado, restruturado ouremodelado, nem houve qualquer iniciativa digna de nota , a não ser o intercâmbio escolar sob o patrocínio da Alliance Française, uma associação particular para o ensino da língua e cultura francesa.
Com as eleições autárquicas no horizonte, este deverá ser, necessariamente, um tema a abordar por todos os partidos concorrentes. O silêncio e a cumplicidade são inimigos da Democracia e as relações de amizade e geminação encetadas em 1989 têm de ter, necessariamente, um novo desenvolvimento.
Mário Mendes - 13/5/2009

sábado, 18 de janeiro de 2014

NISA: Vereadores do PS e PSD contestam obras da Câmara

Os vereadores Idalina Trindade e Francisco Cardoso (PS) e Fernanda Policarpo (PSD) distribuíram um comunicado dirigido à população do concelho de Nisa, que transcrevemos na íntegra e no qual esclarecem a sua posição perante as obras no largo do Boqueirão e a retirada de competências delegadas na presidente da Câmara respeitantes a Licenciamento, Fiscalização e Emissão de Licenças de Obras e Loteamentos.
COMUNICADO DOS VEREADORES DO PS E DO PSD
A) – Obras no Jardim do Largo Heliodoro Salgado
B) – Vereadores da Oposição revogam delegação de competências da Presidente da Câmara em matéria de Licenciamento, Fiscalização e Emissão de Licenças de Obras e Loteamentos e passam a exerce-las, desde o dia 19 de Maio
A) – A exemplo da Prática seguida em Executivos anteriores da Câmara Municipal de Nisa, os Vereadores do Partido Socialista e do Partido Social Democrata, que constituem a maioria do Executivo, entenderam delegar na Presidente da Câmara, algumas competências, numa manifestação de confiança e na convicção plena de que a gestão no mandato actual se pautaria por princípios democráticos, participativos e transparentes, visando um objectivo comum: “Tornar o Município mais dinâmico, inovador e solidário, tendo como meta um poder efectivo partilhado e democrático”, conforme objectivos estratégicos definidos em proposta apresentada pela Presidente em Sessão de Câmara.
- Porém, não é esse tipo de comportamento a que temos vindo a assistir por parte de quem gere os destinos da Câmara. O caso mais recente reporta-se às Obras de Urbanização em curso no Largo Heliodoro Salgado que, sinteticamente resume-se ao seguinte:
- Em 7 de Maio, foram dadas instruções para o abate de todas as árvores (mélais) existentes naquele espaço, com dezenas de anos, “por se encontrarem muito degradadas e algumas só com um ramo com vida”, “causando nódoas no pavimento e veículos estacionados.” , conforme consta na memória descritiva do Projecto;
- No mesmo dia, foram abatidas 6 árvores, não tendo sido assumida a responsabilidade do acto por qualquer dos intervenientes, incluindo a própria Presidente da Câmara que terá afirmado “tratar-se de um equívoco com origem em reunião de obra”;
- Nos dias seguintes, naturalmente que o assunto foi suscitado junto dos Vereadores do PS e do PSD os quais desconheciam em absoluto a obra de urbanização em curso, apesar de em 05 de Maio/2010 ter havido uma reunião do Executivo, onde, pensamos nós, o Projecto deveria ter sido presente para análise e deliberação;
- Finalmente, em 19 de Maio é apresentado em reunião de Câmara o Projecto com a designação de “Requalificação da Zona da Devesa e Áreas Adjacentes “para os devidos efeitos”, conforme Despacho do Vereador do Pelouro respectivo.
- Ontem, dia 24 de Maio, foi abatida mais uma árvore….
- Para além de considerarem que projectos desta natureza justificam a participação da população local no respectivo processo de decisão, o Projecto da obra já em curso não consagrava o princípio da protecção do existente nem garantia o respeito intransigente dos urbanísticos e ambientais interesses públicos.
- Neste contexto, os três Vereadores do PS e do PSD votaram contra o Projecto que recebeu os votos favoráveis do Vereador e da Presidente da CDU.
- Importa esclarecer a população que, apesar do Projecto ter sido reprovado em Reunião de Câmara, a Presidente, e só a Presidente, pode vir a assumir a responsabilidade pela concretização da obra nos termos do Projecto (isto é, com o abate de todas as árvores do Largo Heliodoro Salgado), dado que a Lei lhe faculta essa possibilidade para projectos de valor inferior ao montante das despesa que pode autorizar – 149.639,37 € – o que a suceder, viola a deliberação tomada em reunião de Câmara e desconsidera a necessidade que do nosso ponto de vista existe, de auscultar a posição da Junta de Freguesia e/ou da Assembleia de Freguesia do Espírito Santo.
- Estando bem presentes na memória de todos os Nizorros, actos de completo desrespeito pelas suas memórias, como o “assassínio” da árvore das mentiras, o abate de tílias na Praça da República, o arranjo urbanístico da Rua Júlio Basso, a colocação sistemática de granito e de calcário em toda a pavimentação de Nisa, é nossa obrigação defender o nosso património.
- Não tem sido fácil, pois em termos de gestão camarária temos encontrado um mundo de dificuldades de participação que contrariam os princípios que tanto dizem defender e de que é exemplo o referido no ponto A).
De facto, desde a sonegação de informação para análise do Executivo, existindo mais de uma dezena de pedidos sem resposta, apesar de a Lei estabelecer um prazo máximo de 10 dias, até à pressão efectuada junto de munícipes que ousam expor as suas questões ou reclamações em reunião de Câmara.
B)COMPETÊNCIAS DA CÂMARA:
EM MATÉRIA DE LICENCIAMENTO E FISCALIZAÇÃO:
1 – conceder licenças nos casos e nos termos estabelecidos por lei, designadamente para construção, reedificação, utilização, conservação ou demolições de edifícios, assim como para estabelecimentos insalubres, incómodos, perigosos ou tóxicos;
2 – realizar vistorias e executar, de forma exclusiva ou participada, a actividade de fiscalizadora atribuída por lei, nos termos por esta definidos;
3 – ordenar, precedendo vistoria, a demolição total ou parcial ou a beneficiação de construções que ameacem ruína ou constituam perigo para a saúde ou segurança das pessoas;
4 - emitir licenças, matrículas, livretes e transferências de propriedade e respectivos averbamentos e proceder a exames, registos e fixação de contingentes relativamente a veículos, nos casos legalmente previstos;
EM MATÉRIA DE URBANIZAÇÃO E EDIFICAÇÃO:
1 – as operações de loteamento;
2 – as obras de urbanização e os trabalhos de remodelação de terrenos em área não abrangida por operação de loteamento;
3 – as obras de construção, de alteração e de ampliação em área não abrangida por operação de loteamento;
4 – as obras de reconstrução, ampliação, alteração, conservação ou demolição de imóveis situados em zonas de protecção de protecção de imóveis classificados, bem como dos imóveis integrados em conjuntos ou sítios classificados, ou em áreas sujeitas a servidão administrativa ou restrição de utilidade pública;
5 – as obras de reconstrução sem preservação das fachadas;
6 – as obras de demolição das edificações que não se encontrem previstas em licença de obras de reconstrução;
7 - as demais operações urbanísticas que não estejam isentas de licença,
8 – as informações prévias;

- Por considerarem que desde o dia 4 de Novembro de 2009, até ao dia 19 de Maio, tais competências não têm sido exercidas com o rigor e a transparência que se impõe e que a intervenção recente no Jardim do Boqueirão e situações anómalas de intervenção de funcionários municipais e de máquinas da Câmara em obras particulares são demonstrativas de que a Presidente da Câmara se tem revelado no mínimo negligente, na condução e no exercício das competências que a Câmara em si delegou,
- No dia 19 de Maio, os Vereadores da Oposição chamaram a si, (revogando a deliberação de 4 de Novembro/2019), as competências que a Lei lhes confere, tal como lhes é permitido pela mesma Lei – “a Câmara Municipal pode, a todo o tempo, fazer cessar a delegação”
- Os vereadores da oposição disponibilizaram-se desde logo, para comparecerem a todas as reuniões extraordinárias que a Presidente deve marcar para salvaguardar os prazos e direitos de todos os munícipes sem excepção, no âmbito das matérias em que a Câmara deva deliberar e a Presidente deva executar como lhe compete: “A Presidente da Câmara Municipal deve executar as deliberações da Câmara Municipal e coordenar a respectiva actividade”
- Todas as competências a que esta informação se reporta só podiam ter sido subdelegadas pela presidente nos vereadores e não nos dirigentes da Câmara – cfr. Artº5º, nº 1, do D L 555/99 na sua actual redacção, e artº 65º, nº 2 da Lei 199/99, na sua actual redacção – pelo que,
- Qualquer afirmação no sentido de que a partir de agora os processos se vão atrasar por culpa dos vereadores da oposição, É PURA DEMAGOGIA! Só se atrasarão se a Presidente da Câmara não providenciar, como lhe compete, que os assuntos sejam agendados para as reuniões, sejam elas ordinárias ou extraordinárias!
OS VEREADORES: Idalina Trindade, Fernanda Policarpo, Francisco Cardoso
25 de Maio de 2010

NISA: Intervenção no Largo do Boqueirão sem conhecimento dos vereadores da oposição

PS demarca-se das intervenções e questiona presidente da Câmara
O crime de lesa ambiente perpetado contra o jardim do Largo Heliodoro Salgado (Boqueirão) e que levou ao corte de diversas árvores com mais de 50 anos, levou os dois vereadores do Partido Socialista (PS), Idalina Trindade e Francisco Cardoso, em carta dirigida à edil de Nisa, a questionarem as intervenções realizadas naquele espaço público da vila e a pedirem a imediata suspensão dos trabalhos naquele local. Segue o texto da carta enviada à Câmara de Nisa.
Exma. Senhora Presidente da Câmara Municipal de Nisa:
ASSUNTO: Intervenção no Espaço ajardinado do Largo Heliodoro Salgado em Nisa
Exma. Senhora:
Perante a intervenção que está acontecer no pequeno jardim fronteiro à Repartição de Finanças de Nisa que, a ser levada avante acabará por descaracterizar de forma abrupta e insensível mais um espaço público que pertence à memória colectiva da nossa gente, vêm os vereadores do Partido Socialista junto de Va. Exa. expor o seguinte:
1 – O corte de árvores centenárias num local que carece de sombreamento em virtude da proximidade com um Serviço Público, uma Colectividade (para abrigo do sol abrasador que se faz sentir na nossa Terra durante o Verão) um restaurante e um bar que funciona também com esplanada de Verão, parece-nos um acto manifestamente alicerçado na falta de bom senso, para além de representar um “crime de lesa natureza”;
2 – A substituição dos lancis por pedra nova não se nos afigura absolutamente necessária face a outras prioridades de intervenção urbanística na vila como seja o exemplo da construção de Cobertura para os Táxis no local destinado para o efeito na Praça da República, como de resto propusemos aquando da discussão do Plano de Actividades para 2010, ou ainda e tão só a título de exemplo, a colocação de um abrigo para passageiros junto ao local de paragem de autocarros na Rua Júlio Basso…
3 – Porque nos sentimos defraudados naquilo que são e sempre foram os nossos objectivos enquanto autarcas, de respeitar o princípio da gestão participada por forma a evitar qualquer atentado semelhante ao que sucedeu no contexto do abate incoerente e irreversível de espécies arbóreas no antigo Jardim Público da nossa Terra, como testemunha a nossa árvore das mentiras com os “cotos” erguidos aos céus” clamando por justiça aos seus “carrascos”,
4 – Porque nada temos a ver com qualquer processo decisório subjacente à intervenção no Jardim do Largo Heliodoro Salgado;
Vimos junto de Va. Exa. questionar, e requerer o seguinte, nos termos do consignado no artº 64º, nº 7, alínea b), e no artº 68º, nº 1, alínea s), ambos da Lei nº 169/99, de 18 de Setembro, com as alterações introduzidas pela Lei nº 5-A/2002, de 11 de Janeiro:
a) – A coberto de qual deliberação foi determinada a intervenção em causa?
b) – A Junta de Freguesia do Espírito Santo foi auscultada sobre a intervenção em curso?
c) – Que o assunto seja agendado para análise, discussão e deliberação na próxima reunião de Câmara e que até à sua realização sejam imediatamente suspensos quaisquer trabalhos e de qualquer natureza no local.
OS VEREADORES DO PARTIDO SOCIALISTA
Idalina Trindade /Francisco Cardoso)
10/5/2010

NISA: Registo de um crime com hora marcada

 PORQUÊ?
Porquê, esta fúria devastadora
Desferindo o cutelo sobre a árvore indefesa?
Porquê, esta raiva surda, aterradora
Matando o que de melhor nos dá a natureza?


 Porquê, estes golpes baixos, traiçoeiros,
Sobre o património e a terra amada?
Porquê, esta “febre requalificadora”
Que deixa a nu, a vítima esventrada?

Porquê, este faz e desfaz e torna a fazer
Para que conste que se fez coisa alguma?
Porquê, esta súbita vontade de escarnecer
O que antigos fizeram emergir da bruma?


Porquê, este repentino ataque perpetrado
Contra o espaço, a natureza e a memória?
Porquê, o rasgar do chão humanizado
Pela alma de um povo e da sua história?


 Já foi largo do Espírito Santo
Do Boqueirão, na voz popular
Heliodoro Salgado, republicano
Largo e jardim, hoje... a sangrar
Mário Mendes - 8/5/2010

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

NISA: Quem tem medo da democracia?



O que está a acontecer no concelho de Nisa é vergonhoso, triste e lamentável, mostrando, claramente, que alguém se sente bastante incomodado com as próximas eleições autárquicas.
Primeiro, foram as "borradelas", a preto, de cartazes da candidata do PSD à Câmara, Fernanda Policarpo. "Borraram-lhe" o rosto, em vários cartazes espalhados pela vila, situados em locais em que, a coberto da noite e da cobardia, puderam fazer o "trabalhinho", certamente encomendado.
Agora, há notícia de vandalismo em Santana, que visaram os cartazes do PS e da candidata à Câmara, Idalina Trindade.
São cenas vergonhosas e comportamentos inadmissíveis, reveladores de um totalitarismo e de uma intolerância, que não julgaríamos possível, 35 anos após o 25 de Abril.
O povo de Nisa e da freguesia de Santana já deram sobejas provas de respeito pelas instituições democráticas, votando, sempre, em consciência, respeitando o direito à diferença e optando, em cada eleição pelos partidos que lhes davam melhores garantias.
O "espectáculo" das borradelas e da vandalização de cartazes é condenável e bom seria que as autoridades pusessem cobro a estas situações e punissem os criminosos que as praticam, em nome da verdadeira autoridade do estado democrático, no respeito pela lei e pela liberdade de opinião e expressão, uma das mais belas conquistas legadas pelo 25 de Abril.
24/8/2009

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

PONTÁ BITÉFES: O autocarro do conhecimento e a agência de viagens CDU

Viajar, dar a conhecer outras terras e outras gentes é um propósito meritório e generoso, que todos devíamos apoiar. Foi a pensar nesta medida de longo alcance e vistas largas, visando aumentar o alfobre eleitoral que a Companhia Do Unto (CDU), tem promovido, vezes sem conta e muitas vezes sem dar conta a quem devia, inúmeras viagens por esse país e até pelo estrangeiro, pagas com o dinheiro do erário público.
Ainda estou lembrado de que, no início do passado ano e antes que a “torneira” pudesse fechar, o Centro Social e Cultural dos Trabalhadores do Município de Nisa pediu, não uma, mas cinco viagens no “autocarro do conhecimento”, duas delas de dois dias.
A Câmara, perdão, a Companhia Do Unto, acedeu a tão justo pedido, contrariando, o que aprovara para vigorar como regulamento, mensagem que, ainda hoje, curiosamente, continua a passar em rodapé no site do município.
Em Outubro de 2005, poucos dias passados sobre a vitória eleitoral da CDU para a Câmara, o autocarro lá foi, em viagem de prece e agradecimento, a Fátima, numa deslocação e utilização da viatura que ninguém assumiu ter autorizado, isto, apesar de os vereadores da oposição terem pedido, vezes sem conta, esclarecimentos sobre o assunto.
Durante o período que antecedeu as eleições de 2009, muitas centenas de nisenses de todo o concelho, puderam organizar, a seu bel-prazer, viagens aos mais exóticos sítios e destinos, aproveitando as benesses que o tempo pré-eleitoral sempre concede.
Isto, num concelho dos mais envelhecidos do país e da Europa, onde a população das aldeias não tem direito a transporte público diário e regular para a sede do concelho, sujeitando-se a pagar do seu bolso e das pensões de miséria que recebe, as viagens para aceder a diversos serviços, entre eles o da prestação de cuidados de saúde.
É uma situação vergonhosa e ao mesmo tempo dramática, esbanjar, por um lado, recursos em viagens turísticas de longa duração, substituindo-se às agências de viagens para esse efeito constituídas e, por outro, limitar ou mesmo negar o direito a um bem que é prioritário e elementar, para uma população carenciada, que tem de pagar um preço acrescido pelo isolamento a que está votada.
Soubemos, agora, que o “autocarro do conhecimento” se deslocou a Montemor-o-Velho em complemento de serviço fúnebre, transportando pessoas da ADN e outras.
Não está em causa, o sentimento nem a homenagem que essas pessoas quiseram prestar ao falecido pai do director executivo da ADN.
Todos nós temos familiares e pessoas amigas espalhadas pelo país e pelo mundo.
Mas, será que, da próxima vez que falecer um amigo ou familiar em Azay le Rideau, Tours, Lisboa, Faro ou Póvoa de Lanhoso, também posso pedir o “autocarro do conhecimento”, sem custos, e levar a vizinhança comigo?
A população das nossas aldeias não tem direito ao transporte, mas sobram iniciativas, viagens, dinheiro mal gasto, numa Companhia Do Unto que está com a "corda na garganta" e asfixiada financeiramente, fruto dos devaneios políticos em que tem embarcado, ao longo destes anos.
É bem verdade, como canta o Paco Bandeira: “quando o mar bate nas rochas quem se lixa (f...) é o mexilhão”. Neste caso, o povo.
Mário Mendes - 5/1/2010

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

OPINIÃO: O autocarro do conhecimento e a CDU

Promove a Junta de Freguesia da Senhora da Graça, da CDU, no próximo sábado dia 26/09, véspera de eleições legislativas, (dia em que se devia estar a maturar o sentido de voto) aos seus ilustres fregueses, em exclusivo, residentes no “condado”, um passeio no autocarro da Câmara (de nós todos) de maioria CDU.
Com partida ás 07h00 da manhã junto ao Cine-Teatro , visita ao Castelo de S. Jorge, almoço em Belém. De tarde visita ao Mosteiro dos Jerónimos, Torre de Belém e até vejam, “Passeio Cruzeiro no Tejo”, a terminar no Parque das Nações, Vasco da Gama.
Claro que estes homens e mulheres, idosos na totalidade, merecem mais que ninguém. Muitos deles a trabalhar desde crianças, alguns tão-pouco foram a escola, mas gente séria, honrada e honesta como não vemos nas outras classes sociais. Na sua cor pode ver-se o “bronzeado” do trabalho de sol a sol, inúmeros horas...Depois assalariado enquanto havia luz ainda prosseguiam pela calada da noite dentro, sachavam as milharadas, á percentagem (a meias) para o mesmo ditador. Enfim sofreram muito, merecem tudo, menos ser ludibriados porque eles também sabem pensar e ajuizar.
Madalena Morais - 22/9/2009

NISA: Esgotos da Fonte da Pipa despejados no Figueiró

Fig. 1 - Es gotos da Fonte da Pipa são despejados no Figueiró
A estação elevatória raramente funciona
Um problema ambiental que urge resolver e sobre o qual temos alertado diversas entidades, desde há anos, é o da falta de tratamento dos esgotos da zona da Fonte da Pipa, em Nisa.
Aquando da construção da ETAR e dado o desnível da rede de esgotos numa das zonas residenciais, foi instalado um equipamento destinado a elevar as águas residuais, encaminhando-as para a ETAR.
O equipamento, periodicamente, está inoperacional. Umas vezes, está, de facto, avariado. Outras vezes, a suposta “avaria” interessa à entidade gestora da ETAR, que, contrariamente ao anunciado durante a inauguração, não tem a capacidade suficiente de tratamento de águas residuais para a vila de Nisa.
E o que acontece está à vista de todos: o esgoto da parte baixa da vila (zona da Fonte da Pipa) é
Fig. 2 - Estação elevatória raramente funciona
“encaminhado” directamente e sem qualquer tratamento para a Ribeira do Figueiró, com todos os prejuízos que daí advêm para o ambiente, a saúde pública e para alguns agricultores, que têm de suportar os maus cheiros, a passagem do esgoto pelos seus terrenos e ainda a contaminação de poços e linhas de água.
Custa a crer que um problema tão antigo e tão sensível do ponto de vista ambiental, não tenha ainda sido resolvido por quem, em primeira instância, o devia resolver.
A saúde está primeiro e como não bebemos água do Vimeiro, deixamos o alerta para que a situação seja resolvida e que um dos cursos de água mais “emblemáticos” do concelho de Nisa, como é o Figueiró, tenha, de facto, um caudal mínimo de água e não de esgoto.
Para isso existem as estações de tratamento de águas residuais.
Se não cumprem a sua função, alguém deve ser responsabilizado.

Mário Mendes in "O Distrito de Portalegre" - 26/11/09