quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

PONTÁ BITÉFES: O autocarro do conhecimento e a agência de viagens CDU

Viajar, dar a conhecer outras terras e outras gentes é um propósito meritório e generoso, que todos devíamos apoiar. Foi a pensar nesta medida de longo alcance e vistas largas, visando aumentar o alfobre eleitoral que a Companhia Do Unto (CDU), tem promovido, vezes sem conta e muitas vezes sem dar conta a quem devia, inúmeras viagens por esse país e até pelo estrangeiro, pagas com o dinheiro do erário público.
Ainda estou lembrado de que, no início do passado ano e antes que a “torneira” pudesse fechar, o Centro Social e Cultural dos Trabalhadores do Município de Nisa pediu, não uma, mas cinco viagens no “autocarro do conhecimento”, duas delas de dois dias.
A Câmara, perdão, a Companhia Do Unto, acedeu a tão justo pedido, contrariando, o que aprovara para vigorar como regulamento, mensagem que, ainda hoje, curiosamente, continua a passar em rodapé no site do município.
Em Outubro de 2005, poucos dias passados sobre a vitória eleitoral da CDU para a Câmara, o autocarro lá foi, em viagem de prece e agradecimento, a Fátima, numa deslocação e utilização da viatura que ninguém assumiu ter autorizado, isto, apesar de os vereadores da oposição terem pedido, vezes sem conta, esclarecimentos sobre o assunto.
Durante o período que antecedeu as eleições de 2009, muitas centenas de nisenses de todo o concelho, puderam organizar, a seu bel-prazer, viagens aos mais exóticos sítios e destinos, aproveitando as benesses que o tempo pré-eleitoral sempre concede.
Isto, num concelho dos mais envelhecidos do país e da Europa, onde a população das aldeias não tem direito a transporte público diário e regular para a sede do concelho, sujeitando-se a pagar do seu bolso e das pensões de miséria que recebe, as viagens para aceder a diversos serviços, entre eles o da prestação de cuidados de saúde.
É uma situação vergonhosa e ao mesmo tempo dramática, esbanjar, por um lado, recursos em viagens turísticas de longa duração, substituindo-se às agências de viagens para esse efeito constituídas e, por outro, limitar ou mesmo negar o direito a um bem que é prioritário e elementar, para uma população carenciada, que tem de pagar um preço acrescido pelo isolamento a que está votada.
Soubemos, agora, que o “autocarro do conhecimento” se deslocou a Montemor-o-Velho em complemento de serviço fúnebre, transportando pessoas da ADN e outras.
Não está em causa, o sentimento nem a homenagem que essas pessoas quiseram prestar ao falecido pai do director executivo da ADN.
Todos nós temos familiares e pessoas amigas espalhadas pelo país e pelo mundo.
Mas, será que, da próxima vez que falecer um amigo ou familiar em Azay le Rideau, Tours, Lisboa, Faro ou Póvoa de Lanhoso, também posso pedir o “autocarro do conhecimento”, sem custos, e levar a vizinhança comigo?
A população das nossas aldeias não tem direito ao transporte, mas sobram iniciativas, viagens, dinheiro mal gasto, numa Companhia Do Unto que está com a "corda na garganta" e asfixiada financeiramente, fruto dos devaneios políticos em que tem embarcado, ao longo destes anos.
É bem verdade, como canta o Paco Bandeira: “quando o mar bate nas rochas quem se lixa (f...) é o mexilhão”. Neste caso, o povo.
Mário Mendes - 5/1/2010

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

OPINIÃO: O autocarro do conhecimento e a CDU

Promove a Junta de Freguesia da Senhora da Graça, da CDU, no próximo sábado dia 26/09, véspera de eleições legislativas, (dia em que se devia estar a maturar o sentido de voto) aos seus ilustres fregueses, em exclusivo, residentes no “condado”, um passeio no autocarro da Câmara (de nós todos) de maioria CDU.
Com partida ás 07h00 da manhã junto ao Cine-Teatro , visita ao Castelo de S. Jorge, almoço em Belém. De tarde visita ao Mosteiro dos Jerónimos, Torre de Belém e até vejam, “Passeio Cruzeiro no Tejo”, a terminar no Parque das Nações, Vasco da Gama.
Claro que estes homens e mulheres, idosos na totalidade, merecem mais que ninguém. Muitos deles a trabalhar desde crianças, alguns tão-pouco foram a escola, mas gente séria, honrada e honesta como não vemos nas outras classes sociais. Na sua cor pode ver-se o “bronzeado” do trabalho de sol a sol, inúmeros horas...Depois assalariado enquanto havia luz ainda prosseguiam pela calada da noite dentro, sachavam as milharadas, á percentagem (a meias) para o mesmo ditador. Enfim sofreram muito, merecem tudo, menos ser ludibriados porque eles também sabem pensar e ajuizar.
Madalena Morais - 22/9/2009

NISA: Esgotos da Fonte da Pipa despejados no Figueiró

Fig. 1 - Es gotos da Fonte da Pipa são despejados no Figueiró
A estação elevatória raramente funciona
Um problema ambiental que urge resolver e sobre o qual temos alertado diversas entidades, desde há anos, é o da falta de tratamento dos esgotos da zona da Fonte da Pipa, em Nisa.
Aquando da construção da ETAR e dado o desnível da rede de esgotos numa das zonas residenciais, foi instalado um equipamento destinado a elevar as águas residuais, encaminhando-as para a ETAR.
O equipamento, periodicamente, está inoperacional. Umas vezes, está, de facto, avariado. Outras vezes, a suposta “avaria” interessa à entidade gestora da ETAR, que, contrariamente ao anunciado durante a inauguração, não tem a capacidade suficiente de tratamento de águas residuais para a vila de Nisa.
E o que acontece está à vista de todos: o esgoto da parte baixa da vila (zona da Fonte da Pipa) é
Fig. 2 - Estação elevatória raramente funciona
“encaminhado” directamente e sem qualquer tratamento para a Ribeira do Figueiró, com todos os prejuízos que daí advêm para o ambiente, a saúde pública e para alguns agricultores, que têm de suportar os maus cheiros, a passagem do esgoto pelos seus terrenos e ainda a contaminação de poços e linhas de água.
Custa a crer que um problema tão antigo e tão sensível do ponto de vista ambiental, não tenha ainda sido resolvido por quem, em primeira instância, o devia resolver.
A saúde está primeiro e como não bebemos água do Vimeiro, deixamos o alerta para que a situação seja resolvida e que um dos cursos de água mais “emblemáticos” do concelho de Nisa, como é o Figueiró, tenha, de facto, um caudal mínimo de água e não de esgoto.
Para isso existem as estações de tratamento de águas residuais.
Se não cumprem a sua função, alguém deve ser responsabilizado.

Mário Mendes in "O Distrito de Portalegre" - 26/11/09

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

OPINIÃO: Honrar a República avivando a sua memória

O Dr. António José de Almeida foi Presidente da República Portuguesa entre 1919 e 1923, o único que cumpriu, integralmente, o mandato.
O seu nome figura na toponímia de Nisa desde os finais dos anos 20 do século passado. Melhor dizendo: figurou. O largo com o seu nome, entre a Porta da Vila e o início da Rua Direita há muito que deixou de ostentar as duas placas toponímicas esmaltadas, de fundo azul, igual à da “vizinha” Rua Dr. Francisco Miguéns.
Os executivos da freguesia de Nossa Senhora da Graça, do PS e da CDU há mais de dez anos que vêm sendo alertados para esta vergonhosa omissão. Sem resultado. O dinheiro que receberam deu para festas e bolos com que se enganam os tolos, mas nunca chegou para uma obra irrisória e elementar: a colocação que se impõe das duas placas toponímicas em falta. Nem o Centenário da República, que se comemorou durante este ano, foi suficiente para dar “ânimo” aos eleitos da Junta para, finalmente, fazerem o que se impunha e lhes compete. Eu sei que há crise e duas placas toponímicas devem custar uma fortuna, mas, se para tanto for necessário, não me importo de abrir neste blog uma subscrição pública.
Vá lá, eleitos da Junta, juntem as vossas “senhas de presença” de uma reunião e reponham, aí mesmo ao vosso lado, o nome do Dr. António José de Almeida, quanto mais não seja, para que os nisenses saibam que nesta terra se respeita a memória dos obreiros da Pátria.
É o mínimo que, como bons republicanos, podem (e devem) fazer!
Mário Mendes - Texto publicado inicialmente em 6/10/2011

ANTÓNIO JOSÉ DE ALMEIDA: Médico, Republicano, Presidente da República

António José de Almeida, nasceu em Vale da Vinha, Penacova, 17 de Julho de 1866 e faleceu em Lisboa, em 31 de Outubro de 1929. Foi um político republicano português, sexto presidente da República Portuguesa de 5 de Outubro de 1919 a 5 de Outubro de 1923. Casou com D. Maria Joana Queiroga, de quem teve uma filha.
Biografia
Um dos mais populares dirigentes do Partido Republicano, desde muito novo manifestou ideias republicanas.
Era ainda aluno de Medicina em Coimbra quando publicou no jornal académico Ultimatum um artigo que ficou famoso, intitulado Bragança, o último, que foi considerado insultuoso para o rei D. Carlos. Defendido por Manuel de Arriaga, acabou condenado a três meses de prisão.
Depois de terminar o curso, em 1895, foi para Angola e posteriormente estabeleceu-se em São Tomé e Príncipe, onde exerceu medicina até 1903. Regressando a Lisboa nesse ano, foi para França onde estagiou em várias clínicas, regressando no ano seguinte. Montou consultório, primeiro na Rua do Ouro, depois no Largo de Camões, entrando então na política activa.
Foi candidato do Partido Republicano em 1905 e 1906, sendo eleito deputado nas segundas eleições realizadas neste ano, em Agosto. Em 1906, em plena Câmara dos Deputados, equilibrando-se em cima duma das carteiras, pede aos soldados, chamados a expulsar os deputados republicanos do Parlamento, a proclamação imediata da república. No ano seguinte adere à Maçonaria.
Os seus discursos inflamados fizeram dele um orador muito popular nos comícios republicanos. Foi preso por ocasião da tentativa revolucionária de Janeiro de 1908, dias antes do assassinato do rei D. Carlos e do príncipe Luís Filipe. Posto em liberdade, continuou a sua acção demolidora pela palavra e pela pena, sobretudo enquanto director do jornal Alma Nacional.
Ministro do Interior do Governo Provisório, foi depois várias vezes ministro e deputado, tendo fundado em Fevereiro de 1912 o partido Evolucionista, que dirigirá, partido republicano moderado organizado em torno do diário República, que tinha criado em Janeiro de 1911, e que também dirigia, opondo-se ao Partido Democrático de Afonso Costa, mas com o qual porém se aliou no governo da União Sagrada, em Março de 1916, ministério de que foi presidente.
Em 6 de Agosto de 1919 foi eleito presidente da República e exerceu o cargo até 5 de Outubro de 1923, sendo o único presidente que até 1926 ocupou o cargo até ao fim do mandato. Nestas funções foi ao Brasil em visita oficial, para participar no centenário da independência da antiga colónia portuguesa. A sua eloquência e a afabilidade do seu trato fizeram daquela visita um êxito notável.
Durante o seu mandato deu-se o levantamento radical que desembocou na Noite sangrenta de 19 de Outubro de 1921, em que foram assassinados, por opositores republicanos, o chefe do governo da altura, António Granjo, assim como Machado Santos e Carlos da Maia. Nomeou 16 governos durante o seu mandato.
Os seus amigos e admiradores levantaram-lhe uma estátua em Lisboa, de autoria do escultor Leopoldo de Almeida e do arquitecto Pardal Monteiro, e coligiram os seus principais artigos e discursos em três volumes, intitulados Quarenta anos de vida literária e política, obra publicada em 1934.

In Wikipédia

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

OPINIÃO: Para que todos saibam com o que contam

POUCOS COMPLEXOS, MUITO DESNORTE
1. No primeiro escrito que deu o pontapé de saída nesta coluna de intervenção cívica anunciou -se a vontade de contribuir para o conhecimento mais geral da população de pequenas / grandes coisas que às vezes ( muitas vezes ) ficam apenas entre uns ( muito ) poucos .
Disse-se há uma semana que a (ainda) Presidente da Câmara quando em 1998 foi eleita vereadora fez questão de dar logo a sua opinião onde expressava fortes dúvidas sobre o interesse que poderia ter essa «coisa» de um projecto para avançar com umas Termas em Nisa. Achava, então, que não valia a pena tal investimento já que o futuro do concelho e da região pouco ganhariam com tal iniciativa.
2. No verão passado, quando anunciava pela enésima vez que o «complexo» termal iria finalmente abrir ao público, o jornal «Avante» atribuía -lhe a perspectiva de que, com este projecto, estaríamos perante o investimento mais estruturante que se realizou no distrito de Portalegre desde o 25 de Abril de 1974. Nisa só por si. Não era preciso considerá-lo em conjunto com Cabeço de Vide, um novo balneário termal edificado recentemente.
O maior em 35 anos. Não só no concelho de Nisa !!! No distrito inteirinho!!! O mais desenvolvimentista! O mais sustentável!
O mais gerador de emprego qualificado...
3. É perfeitamente razoável que a opinião de alguém possa evoluir e 10 anos depois considerar interessante o que antes lhe parecia não servir para nada. Embora seja bom lembrar que estamos a reportar -nos a alguém que quando desdenhava dessa «ninharia» de querer fazer umas termas em Nisa já não tinha a idade de 18 anos nem sequer 20 ou 25 . . .
4. Não tornemos um «complexo» de análise o que é, afinal, bem simples. Não há entre a opinião pessimista de 1998 e o megalómano devaneio ultra-optimista de 2008 qualquer contradição nas «convicções» expressas. Sejamos claros. Pela simples e nada «complexa» razão de que não estamos perante qualquer convicção séria. O que se diz, esporadicamente, são lugares comuns, despidos de conteúdo ligado a qualquer estudo sério de uma problemática que não se domina, e que se instrumentaliza na conversada de circunstância em termos de simples e descarado truque político.
5. Só assim é possível este último ano de espectáculo com anúncios sistematicamente falhados de datas de abertura das termas, de aquisição de equipamentos que não se revelam os mais adequados, de processos administrativos que seguem para os tribunais por claro compadrio e mesmo suspeita forte de corrupção.
O primeiro balanço de funcionamento das termas é algo de «pioneiro» por estarmos perante circunstâncias nunca antes vistas no termalismo onde quer que seja. Qual o balneário termal português que começou com «visitas guiadas», mais tarde «tratamentos experimentais», doentes que chegam com dor nas costas e sinusite mas só podem tratar uma das coisas de cada vez e voltar novamente mais tarde, com sucessivas deslocações e despesas em absoluto desrespeito por quem sofre e precisa de usar os serviços.
6. A insensibilidade «termal» no topo de quem manda não tem limites. Como é possível ter passado há três dias no distrito a Ministra da Saúde e (estamos em crer) ninguém ter «reparado» que, além do hospital de dia e dos cuidados continuados e de convalescença, ela também é, em Portugal, a titular política máxima para o termalismo?
O pior é quando se acrescenta à insensibilidade do topo os «critérios» de recrutamento de toda a entourage de «administração» e «técnica», onde a motivação dos responsáveis não é mais que o cheiro mercenário de euros às carradas que representam uma ofensa àqueles que, por ganhos miseráveis e sem garantias laborais decentes, ainda são, quando prestam os tratamentos, a confiança para os utentes e os fazem voltar de um ano para outro.
7. Depois das «visitas» e «tratamentos experimentais» chegou finalmente a «inauguração oficial» de um coisa que (dizem) já funciona há muito. Onde chegámos!!! Autêntico ultraje ao bom nome do concelho...
Alberto João não faz melhor quando, num novo abastecimento de água na Madeira, primeiro celebra a construção do fontanário ainda sem torneira, depois faz a festa da água proveniente de um tanque de lusalite, para, mais tarde, finalmente ter a «inauguração oficial» com o líquido a chegar às casas dos moradores.
Esta atitude política que nos envergonha não pode continuar! Não apenas por sanidade «termal”, repondo o projecto no seu sentido originário, mas, essencialmente, por decência política democrática.

Dinis de Sá - 3/8/2009

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

OPINIÃO: Pós Eleitorais

Incongruência e hipocrisia na política é o pão nosso de cada dia e não pensemos que é só neste país... A diferença é que enquanto nos países desenvolvidos, grupo no qual os nossos políticos sem grande convicção nos tentam convencer de que fazemos parte, essas duas características são punidas, por cá são motivos a receber benesses e tachos.
No concelho de Nisa, nas últimas eleições autárquicas, conhecidos militantes de longa data do PS, alguns tendo inclusivamente no passado desempenhado funções dirigentes no âmbito deste partido e tendo fundado os alicerces do seu sucesso pessoal e profissional no jogo político do partido, apareceram agora, sem ponta de vergonha na cara, a apoiar a lista da CDU, impedindo com a sua tomada de posição a eleição da candidata deste partido, Idalina Trindade, presidente da autarquia.
Nada tenho, antes pelo contrário, contra aqueles que a dado momento da sua vida concluem que a ideologia do partido no qual militaram até ao momento já não os satisfaz, já não dá as respostas por eles achadas necessárias ao rumo do mundo e resolvem tomar novos rumos para a sua própria vida. Isso não significa traição, ou vira-casacas como o povo gosta de apelidar as mudanças políticas, pelo contrário, significa vitalidade, intranquilidade intelectual, recusa de acomodação. Esses merecem-me todo o respeito.
Caso ao disponibilizarem o seu apoio à Srª Engª Gabriela Tsukamoto, já se tivessem demitido do PS e entregue o respectivo cartão, o caso é menos grave porque menoriza a traição, no entanto, dada a sua notoriedade no Concelho como militantes socialistas era sua obrigação publicitarem pelo Concelho o corte do cordão umbilical com o PS. Ao não o fazerem levaram centenas de simpatizantes socialistas a votar no engano porque sempre têm acreditado no socialismo destas pessoas e as têm seguido como suas lanternas ideológicas.
O argumento de que nas eleições autárquicas a política não conta o que conta é a credibilidade e o carácter dos candidatos, seja lá isso o que for, não pega porque se assim fosse, em locais onde todos reconhecemos que os autarcas são uns bacano(a)s, enfim, uns gajos (ou gajas) porreiros, pá! Nesses locais apresentava-se apenas uma lista e o caso estaria resolvido. Mas não é assim, nas autarquias a política também conta e no concelho de Nisa, alguns senhores militantes ou ex do PS enxovalharam a política e a democracia com a traição que fizeram ao partido, aos simpatizantes socialistas e sobretudo ao povo do Concelho.
Hoje que o lançamento de um novo livro biblico de Saramago provocou acesa polémica é caso para recordar: o preço de Judas foi de trinta dinheiros!
Quanto foi o vosso?
Jaime Crespo in http://fongsoi.blogspot.com - 22/10/2009

OPINIÃO: A Corrupção no Poder Local

“Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra se não deixa salgar e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma cousa e fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores se pregam a si e não a Cristo; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade?”
In “Sermão de Santo António aos Peixes”, de Pe. António Vieira
Até ao final de 2009 cerca de 500 organismos públicos, entre os quais as câmaras Municipais, foram obrigados a apresentar ao Tribunal de Contas, os seus Planos de combate à corrupção (Plano de Gestão de Riscos de Corrupção e Infracções Conexas), parece que “quase” todos lá apresentaram o dito plano na data prevista. Mas o que irá trazer de novo este documento na gestão corrente das autarquias? Mais transparência? Mais informação para os munícipes? Acabam as famosas “cunhas”? Claro que não !!!! Quem está no poder vai continuar a favorecer os seu “amigos” (nas empreitadas, ou nos empregos) sem margem para dúvidas, porque está entranhada nalguns caciques locais esta maneira de controlar o povo.
O exemplo que passo a descrever podia passar-se em qualquer autarquia, imaginamos que o Sr. António, Presidente da Câmara, fora indiciado pelo crime de enriquecimento ilícito, que os rendimentos que aufere não são compatíveis com a vivenda, o Jaguar e o iate que possui, a policia investiga este senhor e chega á brilhante conclusão que a sua fortuna não é herança nem tão pouco prémio do Euromilhões, portanto os bens que possui e que faz uso diário deles, não estão em seu nome, mas no de uma empresa offshore – com sede num paraíso fiscal, e por conseguinte o processo é arquivado na fase de instrução. Como este caso existem muitos e são reais infelizmente, as leis existente favorecem estas práticas contínuas na sociedade portuguesa, por isso não nos admiramos de constantemente sermos referidos nos organismos internacionais como um país de muita corrupção.
Grande parte dos crimes de corrupção nas autarquias locais estão associados à construção civil e obras públicas ou também chamados “Crimes Urbanísticos”, em que se violam constantemente os PDM – Plano Director Municipal, sem consultar as Assembleias Municipais ou mesmo junto das populações em sede de referendo local tais alterações. Nunca algum responsável foi condenado por alterar e violar o PDM porquê? Mais uma vez a nossa justiça protege o corrupto e o corrompido.
No documento que acompanha o plano da Câmara de Nisa, a sua Presidente faz referência de forma clara que “a informação e esclarecimento dos cidadãos é a melhor medida de combate á corrupção”, também eu partilho dessa opinião, mas nestes últimos anos não é isso que tem acontecido no concelho de Nisa, pois não? Então comecemos por aí mesmo, dar mais e melhor informação aos munícipes e de preferência com transparência.

José Leandro Lopes Semedo - 20/1/2010

domingo, 29 de dezembro de 2013

OPINIÃO: O LEITOR DÁ CARTAS

Por respeito aos doentes: ABRAM AS TERMAS, POR FAVOR!
A finalização das obras e a abertura do novo balneário das Termas de Nisa constitui autêntico enredo, no que tem a ver com anúncios sucessivos de dados que nunca foram concretizados.
Primeiro, disse-se que iniciaria a actividade termal em Abril de 2007. A seguir, Junho. Finalmente, Dezembro (!!!)... Não dito por pessoas menores, mas pelos mais altos responsáveis da vida municipal.
Entretanto, nunca mais se ouviu publicamente referências a novos dados. Talvez pelo receio, dos que fizeram anteriormente o anúncio, de se enganarem mais uma vez e de mentirem com toda a desfaçatez.
Diz-se à boca pequena que as Termas em 2008 começarão a funcionar no próximo Junho, já no novo balneário. Mas, há quem diga que lá para Setembro é que será mesmo a sério...
Não brinquem com a necessidade de aliviar o mal daqueles que sofrem de verdade e acreditam (mesmo) no benefício da água mineral do nosso concelho.
Enquanto brincam ao anúncio de (sempre novos e adiados) dados para o “novo complexo termal” estar pronto, ponham a funcionar imediatamente as instalações que há quase vinte anos têm servido tantos utentes e ajudado tanta gente a sentir alívio da sua doença.
Quem determinou que as Termas só funcionem quando estiver pronto o novo edifício?
Sendo a Câmara o principal sócio da empresa Ternisa, toda a vereação deu aval a isto?
Que posição tiveram perante este disparate os dois sócios da Câmara? Ou o seu parecer já nem conta?
E os membros da Assembleia Municipal que têm a missão legal de fiscalizar (toda) a actividade do Município, que farão perante tamanho grau de irresponsabilidade de quem manda e, neste caso, abusa do mando, tratando desumanamente pessoas que há muitos anos acreditaram nas virtudes da Fadagosa de Nisa?
Quem decide desta maneira pode encher a boca com boas (?) palavras sobre o “Complexo Termal”, mas seguramente nunca pôs o corpo numa banheira e experimentou o efeito desta água que funciona como medicamento e proporciona tão agradável bem-estar.
As (genuínas) convicções sobre a bondade do termalismo por parte desta gente não têm quaisquer alicerces. São simples retórica no mau sentido do termo.
Há um site na Internet que diz que as Termas de Nisa estão abertas de Abril a Outubro. Esse site é da responsabilidade da própria administração das Termas.
Por favor, não deixem as coisas cair no ridículo.
Abram as Termas. Quanto antes. Respeitem os que necessitam de as utilizar, porque sofrem.

José Manuel Basso in "Jornal de Nisa" - 19/5/2008

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

NISA: A triste entrada norte no Alentejo


 A PEN(HA) DO TEJO
Albergaria Penha do Tejo, com vista panorâmica para a Barragem do Fratel, foi inaugurada, numa primeira fase, em 1997, como forma de dinamizar uma das gargantas do Rio Tejo. Apesar de, em tempos já ter tido uma "grande adesão" e de ter sido um complexo turístico, actualmente encontra-se perdida no tempo e é caracterizada por um ambiente degradado e ignorado pelos olhares dos que lá passam.
Onde o Alentejo dá lugar à Beira Baixa, centenas de viaturas percorrem os quilómetros do IP2 à procura de um destino. Do outro lado da via, as águas da Barragem do Fratel, uma das gargantas do Rio Tejo, assumem uma calmaria e serenidade que confrontam o movimento agitado da estrada. As colinas verdejantes e as aves que voam no ar lá ao longe pintam o quadro da paisagem. O sol e o céu azul chamam por descanso e sossego.
Situada entre o IP2 e a Barragem do Fratel está contemplada a Albergaria Penha do Tejo. Uma infra-estrutura que partiu da iniciativa da Comissão Coordenadora Regional (CCR), que foi criada, numa primeira fase em 1997, pela Câmara Municipal de Nisa, com José Manuel Basso no Executivo e inaugurada por Victor Cabrita Neto, secretário de Estado do Turismo, no XIII governo constitucional, em que António Guterres assumia o cargo de primeiro-ministro.
Naquele ano, o empreendimento teve um financiamento de cerca de 250 mil contos e foi apoiado pelo Segundo Quadro Comunitário de Apoio (FEDER), através da Acção Integrada do Norte Alentejano (AINA). 10 era o número total de funcionários que possuía.
Em entrevista ao DP, José Manuel Basso, antigo presidente da Câmara Municipal de Nisa, explicou que “inicialmente, o projecto, que se considerava interessante, foi aprovado para a dinamização da Barragem do Fratel”, acrescentando que este era “um negócio concorrencial”.
De acordo com o antigo presidente da Câmara Municipal de Nisa, depois da primeira infra-estrutura estar inaugurada, avançou-se imediatamente com uma segunda fase, terminada em 2001 e apetrechada com a área de alojamento e uma piscina, para dar resposta a “muitas procuras”. Contudo, a segunda fase da obra nunca entrou em funcionamento. O total do empreendimento contava com cerca de 50 quartos.
Ainda na segunda fase do projecto estava prevista a implementação de equipamentos relacionados com actividades desportivas e náuticas, elo de ligação entre a Albergaria e a Barragem da Penha do Tejo.
"O programa de trabalhos foi apresentado à União Europeia e se o empreendimento tivesse sido continuado nesta fase já estariam implementados os desportos náuticos e o rio já estaria completamente dinamizado", afirmou o médico.
A beleza circundante choca com o cenário de degradação da Albergaria Penha do Tejo. Uma infra-estrutura deixada ao abandono.
Degradação da estalagem
O ambiente de sossego e de conforto da hospedaria deu lugar à degradação e a um cenário deplorável e sombrio.
Cá dentro, as suites, distribuídas em fila indiana, sem portas, deixaram de ter a sua privacidade, só restando, em cada uma delas, um armário, uma banheira e um lavatório. No corredor onde se encontram as suites, o chão é ornamentado por vidros estilhaçados. Das paredes brancas interiores do edifício, saem fios de electricidade danificados. O Hall de entrada que dá acesso ao mini bar é caracterizado por lixeira e por actos de vandalismo. Junto ao restaurante panorâmico e ao bar, transformado em retalhos, restam pinturas de paisagens que guardam lembranças e recordações. A sala de reuniões e de festas resumiu-se ao nada.
Lá fora a serenidade da Barragem do Fratel contrasta com o abandono e a renúncia de piscina, rodeada por mato que teima em trepar cada vez mais os céus alentejanos, esquecendo o relvado fresco de outrora. Ainda lá fora, um parque de diversões, colocado ao abandono, guarda momentos de divertimento que, noutro tempo, faziam as delícias dos mais novos.
O campo gimnodesportivo, destinado a actividades ao ar livre, ainda se encontra intacto à espera que façam uso das funções para que foi construído.
O vandalismo a que a estalagem começou a estar habituada destruiu uma das realidades que poderia vir a ser um marco para o desenvolvimento turístico da região.
"Fiquei preocupado e horrorizado como cidadão." Foi desta forma que José Manuel Basso se sentiu quando confrontado com o estado de abandono e de degradação da Albergaria. Segundo disse, este era "um projecto da Região de Turismo, do município e das gentes do Alentejo e da Beira", lamentando que "quando um processo é parado obviamente que deixa de ter sentido".
Aquando se encontrava ainda no Executivo, José Manuel Basso e a Câmara de Nisa abriram um concurso público para a concessão da exploração do projecto. "Enquanto fui presidente da autarquia, a porta da Albergaria abria todos os dias e eu próprio a frequentava com alguma assiduidade, acompanhando as propostas que haviam para o futuro daquele empreendimento".
Para o antigo presidente, a actual Câmara "tratou o empreendimento como um enteado enjeitado. Quem está no cargo deve ter a responsabilidade de zelar pelo seu património". José Manuel Basso referiu ainda que "há uma concepção que foi desprezada por aquilo que foi abandonado que, sob o ponto de vista político e civil, é condenável".
Esperança
Ao que o DP conseguiu apurar, um grupo de pessoas defensoras da Albergaria está a ultimar uma acção judicial contra a Câmara que se encontra actualmente no Executivo de Nisa, por delação de património.
O DP tentou contactar a presidente da Câmara Municipal de Nisa, Maria Gabriela Tsukamoto, mas até ao momento não foi possível.
José Manuel Basso tem esperança no renascer de um empreendimento que foi morrendo aos poucos. "Sinto-me triste. Precisa-se de um investimento público e de vontade". Contudo, o antigo presidente da autarquia de Nisa tem esperança "que surjam mecanismos por parte dos cidadãos, pois nessa via de intervenção será uma questão de tempo para que hajam formas de gestão para que a infra-estrutura volte a funcionar eficazmente", concluiu.
A Albergaria Penha do Tejo é actualmente local de passeio para animais e caracterizada por um ambiente esquecido, perdido no tempo e ignorado pelos olhares dos que lá passam, à espera que alguém lhe dê um novo rumo.
Ana Pires "O Distrito de Portalegre", 06/08/2009

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

NISA: Polémica na escolha do cartaz da Nisartes 2008


JOVEM DE TOMAR GANHA EM “CAMPO” E PERDE NA “SECRETARIA”
A Câmara de Nisa decidiu, em reunião realizada no dia 2 de Abril, atribuir o primeiro prémio do concurso de cartaz da Nisartes 2008, a um jovem residente no concelho, conforme a autarquia amplamente divulgou, tal como a proposta de cartaz, em nota de imprensa.
O que não se disse, foi que o cartaz vencedor resultou de uma segunda escolha, já que a decisão do júri do concurso, nomeado especialmente para o efeito, fora noutro sentido e escolhera como proposta vencedora, o trabalho nº 59, apresentado sob o pseudónimo de “Ísis” e elaborado por uma jovem a estudar em Tomar, Ana Carina Raposo Dias.
Em vez de atribuir a classificação e o prémio de acordo com a vontade do júri, a Câmara, por proposta da sua presidente, resolveu "não homologar a acta da reunião do júri” e atribuir “o 1º lugar ao trabalho com o nº 109, apresentado sob o pseudónimo ""AR"" e elaborado por Bruno Alexandre da Fonseca Godinho.
Votaram a favor desta “alteração” para além da proponente, os vereadores João da Costa (CDU) e Paulo Felício (PS), e contra o vereador Mário Condessa (PSD) porque “tinha concordado com a decisão do júri ".
Esta a decisão que fica a manchar, de forma negativa, um concurso a que concorreram, segundo números da autarquia, quase duas centenas de projectos gráficos.
“Ninguém me deu qualquer informação ou esclarecimento”
- Ana Carina Dias
Ana Carina Raposo Dias, a jovem preterida no concurso de cartaz da Nisartes 2008, tem 20 anos e estuda no 2º ano do curso de Design e Tecnologias das Artes Gráficas do Instituto Politécnico de Tomar. Para além de estudante, trabalha como vendedora na Worten da cidade nabantina.
Contactada pelo “Jornal de Nisa”, a jovem estudante contou-nos como tivera conhecimento do concurso e as expectativas com que concorreu, mostrando-se indignada com o todo o processo.
“Tive conhecimento através de um colega de curso, pois foram vários a participar neste evento. As expectativas eram ganhar apesar ter a noção que sendo eu uma estudante de Design era complicado participar num evento em que provavelmente competiriam outros profissionais da área. Esta foi a minha primeira participação neste tipo de concursos.”
Sobre a não homologação da acta do júri que lhe atribuíra o 1º lugar, Ana Carina não escondeu a sua surpresa e estupefacção.
“Fiquei a saber da situação quando fui contactada por vós, a mim não me foi dada qualquer informação ou esclarecimento. Francamente acho o cartaz “vencedor”, que consta no site da Câmara inferior a muitos trabalhos que concorreram a este concurso. Sinceramente, estas discordâncias, ou outro termo que lhe queiram atribuir, são fortemente descredibilizadoras deste concurso, pois para além da falta de informação colocam no site uma realidade ilusória. Se havia discordância porquê tanta urgência para colocar no site o “tal” vencedor? E porquê esse vencedor escolhido por minoria, tanto quanto me foi explicado? Apenas por ser um habitante do vosso concelho?”
Perante esta situação, criada a uma jovem que concorreu pela primeira vez a um concurso deste género, Ana Carina diz que “se eu não tivesse sido contactada pelo jornal nunca teria tomado conhecimento como as coisas aconteceram, mas uma vez que sei a realidade dos factos sinto-me injustiçada, não tanto por não ter sido o cartaz vencedor, mas porque existiam inúmeros trabalhos superiores que poderiam valorizar melhor o evento. De certa forma falo por todos eles. Suponho que todos se sentiriam injustiçados se estivessem na minha situação, não apenas por uma questão do prémio monetário, mas do prestígio que poderia advir para a minha ainda não iniciada carreira.”
in "Jornal de Nisa" nº 253 - 16/8/08